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Festas
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    Festa da Levada

 Antigamente a Levada tinha só caminhos e não estrada como é agora. Era tudo monte e os caminhos fundos com regos vindos de cima para a aldeia, um das Lapardeiras e Pralva, outro de Val Donzelo e Meiadinhas. Essas águas agora estão encanadas directamente para os tanques.

 Segundo a lembrança dos mais velhos, a criançada de Cetos ia para a levada ver passar as pessoas que vinham da feira do Fojo. Essas pessoas eram de varias aldeias (Ester, moção, desfeita, vila seca, ribas)

 Tudo começou, então, como meio de passagem.

 Havia uma senhora de Cetos, chamada tia Ribeira, que ia buscar figos a Lamego para vender aos feirantes que passavam pela levada. Trazia com ela não só os figos como também caramelos da régua e uns pequenos rebuçados (que não se sabe o nome) conhecidos pelos rebuçados que o Sr. Manuel “nhangue” dava às crianças nos casamentos (o Sr. Manuel mandava os rebuçados para o ar e as crianças corriam para os apanhar). Estes rebuçados atraíam as crianças para a levada, pois os feirantes ao vê-las por lá compravam os rebuçados à tia Ribeira para oferecer aos meninos e meninas que por ali estavam.

 Os jovens rapazes também iam para muitas vezes para os caminhos da Levada. No dia anterior, as raparigas da ribeira passavam por lá para ir vender linho à feira do Fojo. Os rapazes que andavam por ali com as vacas iam ao seu encontro para lhes pedir namoro. No dia seguinte (a festa da Levada) era o encontro dos jovens namorados!

 Com o tempo as pessoas começaram por se ir juntando e levando a sua merenda para o convivo.

 Agora, no 1º domingo de Setembro, são muitos que hoje em dia se juntos na Levada para um grande convivo!

 

    Nossa Senhora da Visitação   

     Segundo     conta a história, a festa da nossa senhora da visitação já existia em tempos     remotos, era realizada em Maio mas acabou por ser suspensa. As origens e os     motivos que levaram a terminar com a festa ainda estão para se descobrir.

Com a criação da paróquia a nossa senhora da visitação recomeçou, os festejos passaram a ser no segundo domingo de Julho, mas apenas de cariz religioso. A festa da nossa senhora da visitação passou então a ser estritamente religiosa, de tal maneira que o pároco da altura, Alfredo Libório, não permitia qualquer tipo de manifestação popular. Esta ideia foi então quebrada por alguns dos fiéis, dos quais se destacaram o “Marquês”, o “Papas” e o João “Aveleira”, pela sua determinação em enfrentar o padre.

Mais tarde, e por influencia do povo residente em Lisboa, uma nova mudança aconteceu. A data foi mudada para o primeiro domingo de Agosto, o que criou uma polémica tão grande que os emigrantes da Suiça deixaram de contribuir para a festa.

   

Entrudo

O Entrudo sempre foi uma época do ano muito divertida para a rapaziada. As raparigas teriam de fazer um compadre e os rapazes faziam a comadre, estes eram muito bem escondidos de forma a tornar difícil a sua procura. Os rapazes teriam então de encontrar o compadre e, por sua vez, as raparigas a comadre.

Nessa altura os rapazes iam para cima da urgueira falar ao funil só a dizer maluquices. Este funil era feito de lata por um latoeiro que vinha a Cetos duas a três vezes por ano para compor pratos, malgas, panelas, guarda-chuvas, como também fazia objectos em lata e zinco para venda ou troca (quem não tinha dinheiro dava aquilo que cultivava).

Chegado o dia do Carnaval os rapazes e as raparigas levavam o compadre e a comadre a dar a volta ao povo espetadas nos estadulhos de um carro de vacas. Depois da volta, o compadre e a comadre eram queimados numa fogueira, normalmente na eira da costinha, mas não sem primeiro ser lida parte das suas vidas. No final, arranjava-se um notário para ler em voz alta o testamento deixado pela comadre e pelo compadre. Os testamentos eram, normalmente, feitos em verso, e, desde escovas de cabelo, tamancos, maquilhagem, tudo servia para lá ser deixado.

Aqui fica um exemplo de um verso:

   Para a menina Felismina

   Que está na idade de casar

   Deixo-lhe a minha maquilhagem

   Para um homem conquistar.

 

 Dia de S. Silvestre

Em Cetos ainda hoje é comum assinalar o dia de S. Silvestre. Este dia comemora-se a 30 de Dezembro com a Arruada de São Silvestre. Algumas pessoas da aldeia (um grupo de tocadores e cantores improvisados ao qual se juntam alguns aldeãos) juntam-se e percorrem as suas ruas a cantar à desgarrada (músicas com melodia instrumental fixa e com conteúdo lírico ligado ao quotidiano e relação entre as pessoas da comunidade, ridicularizando-se em certa medida algumas, sem ofender) e a dar vivas às pessoas, parando em frente a cada casa. Os donos das casas retribuem a boa música e o convívio com frutos secos, vinho e bagaço com mel. O festejo dura a noite toda.

 

 Santo comilão

Uma tradição pouco comum mas que em Cetos se faz todos os anos por volta do 1º ou 2º sábado do ano.

Tudo começou quando os tocadores e cantadores se reuniam no clube para ensaiar novas músicas e daí seguiam de porta em porta a cantar essas cantigas.

O objectivo era sempre a convidar as pessoas a contribuir com alguma coisa e também a convida-las para acompanhar a comitiva. Enquanto se ia cantando já outras pessoas se encarregavam de confeccionar chouriças, salpicões, ovos entre outras coisas.

Era então quando acabava a arruada que as pessoas se reuniam para comer do bom e do melhor. Depois de todos bem satisfeitos, normalmente os tocadores davam-lhe o prazer de tocar umas valsas e assim poderem dançar o resto da noite.

 

 

(Informações retiradas do fórum e do trabalho da Catia "A Gastronomia da Beira Interior")